Planilha e anotação são provas de delator contra Colombo

Página 176, anexo 29 da delação do diretor da JBS, Ricardo Saud. Dois documentos são usados neste arquivo como provas pelo delator no acordo com Procuradoria-Geral da República (PGR) e detalham o pagamento de R$ 10 milhões em favor do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), e o secretário da Fazenda, Antônio Marcos Gavazzoni. Na planilha aparecem os R$ 8 milhões doados oficialmente para a campanha do PSD e os outros R$ 2 milhões pagos por meio da rede de supermercados Angeloni. No bilhete manuscrito, o mesmo conteúdo da negociação que, segundo Saud, seria uma compensação para que a empresa fosse favorecida em licitação da Companhia de Água e Esgoto de Santa Catarina (Casan).

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No topo do manuscrito, “Raimundo Colombo, Negociado 10.000.00” e na parte final do texto “entregou p/ Gavazoni”. Segundo o diretor da empresa, a JBS ficou próxima do governador e do secretário de Fazenda após a compra da Seara por R$ 5,8 bilhões em 2013. As doações, segundo Saud, foram para o caixa único do PSD de 2014 sendo que R$ 2 milhões pagos em espécie na Capital.

Governador e controlador da JBS em jantar realizado na Associação Médica de Florianópolis em 22 de maio de 2014. No evento que teve a participação do secretário de fazenda, ambos assinaram o protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a empresa "para a consolidação do plano de expansão de suas unidades em Santa Catarina".
Governador e controlador da JBS em jantar realizado na Associação Médica de Florianópolis em 22 de maio de 2014. No evento que teve a participação do secretário de fazenda, ambos assinaram o protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a empresa “para a consolidação do plano de expansão de suas unidades em Santa Catarina”.

“Olhei pro Joesley, olhei por governador, os dois balançaram a cabeça, assentindo. Chegamos a um número de R$ 10 milhões. Nós pagamos R$ 8 milhões dessa propina dissimulada em forma de pagamento no PSD nacional carimbado pra candidatura do Raimundo Colombo e R$ 2 milhões foi pago em dinheiro vivo lá em Florianópolis mesmo. Eu não posso afirmar se foi o Gavazzoni quem buscou o dinheiro ou se foi um mensageiro dele, mas o dinheiro foi entregue num supermercado que nos ajudou sem saber de nada, pagando em espécie como se fosse uma nota fiscal nossa de R$ 2 milhões”, disse o delator.

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Em nota, o Angeloni confirmou o pedido da JBS. “O pagamento pelos produtos adquiridos deste fornecedor é tradicionalmente feito através de depósito bancário, mas, num determinado momento, recebemos a solicitação da JBS para que algumas duplicatas fossem pagas em carteira.” Colombo e Gavazzoni negam o favorecimento e o pagamento de R$ 2 milhões, mas confirmam a doação oficial.

Governador e controlador da JBS em jantar realizado na Associação Médica de Florianópolis em 22 de maio de 2014. No evento que teve a participação do secretário de fazenda, ambos assinaram o protocolo de intenções entre o Governo do Estado e a empresa “para a consolidação do plano de expansão de suas unidades em Santa Catarina”.

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