Leia os detalhes da evolução patrimonial e o perfil dos vereadores candidatos à reeleição em Florianópolis

Atualizada às 14h30* 

Afrânio Boppré

afranioAfrânio Tadeu Boppré é veterano nas disputas políticas da Ilha. Líder estudantil na década de 80, elegeu-se vice-prefeito de Florianópolis em 1992, aos 32 anos de idade. Por três vezes tentou ser prefeito da Capital (1996, 2004 e 2008), mas o máximo que alcançou foi o segundo turno, na primeira tentativa. Eleito deputado estadual pelo PT, em 2002, Afrânio deixaria o partido três anos mais tarde para ajudar a fundar o PSOL em Santa Catarina – chegando à presidência nacional da sigla em 2010. Na nova legenda, conquistou os votos necessários para a cadeira de vereador, que ocupa desde 2013.

Economista e professor, Afrânio declarou bens que totalizam R$ 1.193.318,40 entre imóveis, aplicações financeiras e veículos. Desde que foi eleito vereador em 2012, seu patrimônio cresceu 23,8%. Indagado pela reportagem, o candidato disse que procura investimentos rentáveis e seguros em aplicações financeiras, fundos de investimento e compra de ações de algumas empresas, além de fazer reservas mensais ao longo da vida. Afrânio ainda informou que vendeu um imóvel em Biguaçu e comprou outro em Florianópolis, adicionando a valorização da propriedade à declaração ao TRE-SC.

Um fato chama atenção na evolução patrimonial do candidato. Bens de uma herança informados à Justiça Eleitoral em 2006 (que totalizam R$ 35,5 mil) desapareceram das declarações seguintes, em 2012 e 2014 (quando Afrânio concorreu ao governo estadual), mas reapareceram nas eleições deste ano com os mesmos valores de uma década atrás. O candidato limitou-se a explicar por que não atualizou os valores: “Como os imóveis não estão à venda, seus valores ficam normalmente fixos, vez que o importante é constar a propriedade do imóvel e não suas variações venais”.

Na Câmara, dois temas principais aparecem entre os projetos de lei apresentados pelo vereador: mobilidade urbana e normas de conduta de parlamentares e administradores públicos. Um dos projetos aprovados instituiu a recarga livre do cartão no transporte coletivo para estudantes e outro, caso também seja aprovado, proibirá a nomeação de parentes de autoridades para cargos em comissões. Oposicionista à atual administração, Boppré apresentou denúncias de quebra de decoro parlamentar contra colegas vereadores após a operação Ave de Rapina, em 2014. (Evandro de Assis)

Aldérico Furlan

furlanO vereador Aldérico Furlan (PSC) se elegeu em 2012 com 1.760 votos – o penúltimo em votação entre os que conquistaram cadeiras. Também concorreu ao cargo em 2000, pelo PMDB, mas não foi eleito. Agora, quando tenta a reeleição, mostra inconsistências nas declarações patrimoniais. Na comparação dos bens apresentados para os pleitos atual e o de 2012, destaca-se uma chácara de 2.109m² no loteamento Cantegril, em Chapecó, que valia R$ 634.880 e agora está apreçada em R$ 6.123, um centésimo do anterior.

Com isso, o total declarado para estas eleições representa um quarto do que era em 2012. Passou dos R$ 1.225.158,10 (já corrigidos pela inflação de acordo com o IPCA) para R$ 336.892. Ainda assim, houve aumento do número de bens, que eram três e hoje são quatro.
Um deles é um Honda CR-V do ano 2007, que em 2012 foi declarado por R$ 39.222 e agora por R$66.000, mais que uma vez e meia o valor anterior, contrariando a lógica de depreciação de veículos ao longo dos anos.

Furlan é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular há 21 anos. É genro do deputado estadual Narcizo Parisotto (PSC), em quem se inspira para o exercício político. Assim como o sogro, Furlan tem posições conservadoras.

Atuou contra o que ele chama de “ideologia de gênero”, reunindo-se com o prefeito César Souza Jr. (PSD) para pleitear, com sucesso, a retirada da cartilha e dos 11 itens sobre questões de gênero do Plano Municipal de Educação.

Também votou contra o Projeto de Lei do prefeito que cria o Conselho Municipal de Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Florianópolis (CMDLGBT), mas foi voto vencido.

Furlan é vice-presidente da Comissão de Saúde e da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Pública da Câmara. Também é membro da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Serviço Público.

Ao longo do seu mandato, protocolou três Projetos de Lei Complementar (PLC) e 10 Projetos de Lei (PL), dos quais quatro viraram leis.

Procurado pela reportagem para explicar por que seu patrimônio se desvalorizou em 72%, o vereador não respondeu até o fechamento desta reportagem. (Carlos Henrique Costa)

Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko

vero_badekoO candidato a vereador Marcos Aurélio Espíndola, mais conhecido como Badeko, é atual vereador de Florianópolis pelo PHS. Badeko nasceu em 1976, foi criado no bairro Monte Cristo e se candidatou pela primeira vez para as eleições municipais em 2004, sem conseguir se eleger. Em 2008 foi eleito vereador e presidente municipal do PPS de Santa Catarina. Filiou-se PSD em 2011. Nas últimas eleições, foi eleito com 3.483 votos, sendo o quinto mais votado. Nesta legislatura faz parte da Comissão de Constituição e Justiça e é presidente da Comissão de Viação, Obras Públicas e Urbanismo. Em 2013 assumiu a presidência municipal do PSD. Atualmente concorre pelo PHS, coligado ao Florianópolis com Inteligência e Coração, que é composto pelo PHS, PSB, PMB, PSL e Pros.

Para lançar a candidatura deste ano, Badeko fez sua declaração de bens, que somados deram um total de 155 mil reais: uma casa de alvenaria de 85,5 mil reais, uma participação societária na UNICRED de 3 mil reais, uma Lancha Motorboat 2011 no valor de 42 mil reais e mais 25 mil reais em espécie. Há quatro anos, o vereador declarava um total de 106 mil reais, com os mesmos bens materiais, com exceção da lancha. Considerando o reajuste do IPCA (34,8%), observa-se uma variação de +8,2% nos bens declarados de Badeko. Contudo, de acordo com um indiciamento da Policia Federal de junho deste ano, Badeko apresenta uma movimentação financeira incompatível com suas receitas declaradas ao Fisco no montante de 502 mil reais.

Conforme o inquérito, há indícios que o vereador é proprietário de 2 imóveis registrados em nome de terceiras pessoas. Outra negócio que, segundo a PF “não bate com sua renda e sua movimentação financeira em 2014”, esta a venda de uma embarcação por 15 mil reais e a compra, três dias depois, de outra embarcação por 80 mil reais. Para a PF, a incompatibilidade patrimonial e a ocultação de bens, demonstram “indícios de que se trata de patrimônio espúrio”, decorrentes dos crimes investigados na Operação Ave de Rapina.

Por causa das investigações da Ave de Rapina, Marcos Aurélio Espíndola foi preso preventivamente dia 12 de novembro de 2014 no Complexo Prisional da Agronômica. Após 29 dias de prisão, Badeko foi solto e afastado do cargo por 180 dias. A Operação Ave de Rapina, iniciadas em novembro de 2014, trata das suspeitas de recebimento de propina por parte de vereadores, para estes aprovarem mudanças no projeto de lei Cidade Limpa, alterações que beneficiariam empresários de publicidade. A aprovação de um substitutivo global, de autoria de Badeko, alterou as regras de publicidade em outdoors, luminosos e placas da Capital.

Em julho de 2015, o Conselho de Ética havia votado unanimemente por sua cassação. As acusações formais eram de: 1 violar a utilização do mandato para práticas de corrupção ou improbidade administrativa. 2 ter procedimento de modo incompatível com a dignidade da Câmara por faltar com a ética pública. 3 violar o Código de Ética que trata dos recursos públicos. 4 violar o uso do poder inerente ao mandato.

Badeko também foi associado à Operação Falsa Impressão, após o naufrágio de uma lancha na baía Norte no final de abril de 2015, em circunstâncias ainda não esclarecidas. A Operação investiga irregularidades nos contratos de terceirização dos serviços em diversos municípios da Grande Florianópolis. Segundo pesquisas da Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), a lancha estava registrada no nome de Marcos Aurélio Espindola desde 03/10/2014. Segundo denúncia anônima, a embarcação pertenceria a Robson Cardoso, dono da Escrimate Comercial e Serviços de Informática, empresa alvo da Operação Falsa Impressão. Cardoso já havia sido condenado por corrupção ativa pela Justiça Federal em 2001; entretanto, depois de inúmeros recursos, teve a pena prescrita e reconhecida pelo Tribunal Regional Federal em 2007.

Conforme investigação da PF, o vereador manteve contatos telefônicos e encontros com Cardoso, dono da Escrimate. Ademais, Badeko teria adquirido uma segunda embarcação pelo intermédio de um parente de Cardoso, que também está sendo apurada pela Gaeco. De acordo com dados extraídos do Sistema de Gerenciamento de Embarcações/Marinha do Brasil, em 23 de setembro de 2014 foi realizada a venda da embarcação Caravelas (nome anterior Mariah) e a compra, três dias depois, da embarcação Mariah (nome anterior Ana Cristina III). Após isso, em junho de 2015, o Ministério Público de Santa Catarina pediu prorrogação do afastamento do parlamentar da Câmera de Vereadores por mais seis meses.

Em setembro de 2015, através de um recurso protocolado pela defesa do vereador, Badeko recebeu autorização da Justiça para voltar ao cargo, mas ainda respondendo a medidas cautelares, que segundo a Justiça, se faziam necessárias pelo grande volume do inquérito, que já passam de 10 mil páginas de processo. Em março deste ano, o vereador entrou com um pedido de antecipação de tutela para apressar os efeitos da sentença condenatória, já que haviam se passado mais de 2 anos desde o início das investigações da Ave de Rapina sem a apresentação de uma denúncia. Além disso, Badeko entrou com uma ação ordinária contra a Fazenda Pública para rever os salários que deixou de ganhar após 10 meses afastado, além de uma ação indenizatória por danos materiais e morais, que somados geram uma cobrança de 144 mil reais.

Apesar do vereador ter sido absolvido pela Câmara de Florianópolis em maio deste ano, em junho a PF indiciou Badeko por crime de lavagem de dinheiro e contra ordem tributária pela ocultação de um imóvel em Monte Cristo e uma casa na Costa da Lagoa, ambos em Florianópolis. Os imóveis foram registrados em nome de terceiros, como Paulo Cesar Pereira (Cunhado e ex-motorista) e Karolina Machado (irmã, também indiciada pela PF). Paulo Cesar, que não possui receita para tal aquisição, informou que teria recebido uma doação de uma pessoa com poder aquisitivo, que permitiu a compra do imóvel.

Com menos de 20 dias para as eleições municipais, Badeko e outros 9 vereadores foram denunciados pelo Ministério Público pelo esquema de corrupção na Operação Ave de Rapina. Badeko está sendo acusado de concussão, corrupção passiva e organização criminosa. Ele teria recebido 80 mil reais para garantir agilidade na tramitação e publicação do Decreto Municipal regulamentador da Lei complementar n° 422/2012, em um esquema de corrupção que permeou três órgãos públicos: a Câmera de vereadores, o Instituto de Planejamento Urbana de Florianópolis (Ipuf) e a Fundação Cultural Franklin Cascaes.

Atualmente, Badeko também responde a um inquérito policial por patrocinar interesses privados (advocacia administrativa) de artesãos da Capital perante a Guarda Municipal. O delito tem pena máxima de um ano de detenção ou multa de 5 mil reais.

A equipe do Farol Reportagem tentou entrar em contato com Marcos Aurélio através de telefone e email, chegamos a falar com a secretaria do gabinete de Badeko, que informou que seu assessor de imprensa estava doente. A equipe alargou o prazo para que o vereador pudesse articular uma resposta, todavia não foi obtido nenhum retorno. (Daiane Nora)

Célio João

celio_-_foto_site_camaraQuando foi eleito vereador de Florianópolis em 2012 por quociente partidário, Célio João declarou um patrimônio de R$ 17.000,00 referentes a um automóvel Ford/Fiesta Sedan ano 2006. Nas eleições de 2016, o valor apresentado foi de outro carro no valor de R$ 79.500,00. Para fins de comparação, levando em consideração o valor da inflação (reajustado pelo IPCA) de agosto 2012 a julho de 2016, o patrimônio aumentou 346%.
Questionado sobre o aumento que fez quase quadruplicar o seu patrimônio em quatro anos apenas, o candidato não respondeu à reportagem.

Em 11 de junho de 2014, Célio João recebeu uma notificação sobre o seu afastamento de cargo. O motivo da cassação foi pelo uso da máquina pública nas eleições. Ele teria utilizado os serviços da Secretaria Municipal de Obras (local onde trabalhava antes mesmo de ser vereador) para beneficiar a própria candidatura. Tal atitude infringiria o inciso III do artigo 73 da Lei das Eleições, que proíbe o uso de servidores por comitês de campanha eleitoral de candidato durante o horário de expediente.

Nesse mesmo processo, o Tribunal Regional Eleitoral condenou o atual diretor de Operações da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana da Capital, Luiz Curcio. Os juízes que avaliaram o caso entenderam que o vereador tinha conhecimento de que alguns funcionários da Secretaria de Obras trabalhavam em favor da sua campanha, trocando a pavimentação de ruas por votos.

O relator do processo, juiz Ivorí Luis da Silva Scheffer divulgou que, durante uma reunião na Associação dos Moradores do Bairro João Paulo e Itacorubi (AMJI), o então candidato a vereador apresentou-se como representante da Secretaria de Obras. Dessa forma, colocando-se como a pessoa com quem a comunidade poderia contar para resolver o problema da pavimentação nesses bairros. Como já estava exonerado de seu cargo, Célio não poderia apresentar-se como representante da Secretaria de Obras. A legislação diz que é proibido “o uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público”.

Célio João voltou à Câmara Municipal em outubro de 2014, após decisão da Justiça Eleitoral que reconduziu o vereador ao cargo e considerou ilegais as provas usadas no processo. No seu discurso de reintegração declarou: “a injustiça daqui me tirou e a justiça aqui me trouxe”. Em dezembro do mesmo ano, ele foi um dos indiciados na Ave de Rapina, na qual a Polícia Federal indiciou 10 dos 23 vereadores de Florianópolis por corrupção. (Débora Nazário)

Celso Sandrini

celsoA se considerar a carreira profissional, política e financeira, a vida de Celso Francisco Sandrini parece constante. Há trinta anos ele reside na mesma casa no Ribeirão da Ilha, é servidor do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Nos seus 56 anos de idade, Sandrini atuou em organizações comunitárias do sul de Florianópolis, concluiu graduação em Gestão Pública e casou. Teve dois filhos e dois mandatos na Câmara Municipal: o primeiro em 2008 e, em seguida, reeleição em 2012. Acumula, portanto, os rendimentos de funcionário estadual e de vereador. O horário no Deinfra não o impede de exercer os dois cargos.

Atraiu votos do setor de maricultura e, desde 2008, garantiu o espaço da atividade no plenário, no orçamento e no Plano Diretor da cidade. Sandrini permanece fiel ao partido, ao setor que representa e até mesmo ao modelo de automóvel: a cada mandato, troca um carro Gol por uma versão mais nova.

Sandrini busca em 2016 a renovação do mandato como vereador. O fato de não ter seu nome atrelado a nenhuma investigação motiva o mote da campanha do “Candidato Ficha Limpa”. O patrimônio declarado este ano, contudo, é duas vezes maior que em 2012. Foram incluídas na lista de bens quatro contas bancárias e uma poupança em espécie, e o valor da residência foi reajustado de R$ 40 mil para R$ 100 mil.

A assessoria do candidato explicou em nota que o acúmulo de poupanças foi possível graças ao aumento salarial. “Além de aumentos constitucionais em seu salário do órgão de origem (Deinfra), houve um elevado aumento do subsídio dos vereadores aprovado na Câmara Municipal de Florianópolis, sendo este iniciado em janeiro de 2012. Ao final do primeiro mandato, o subsídio dos vereadores era de R$ 8.780,44, sendo elevado no mandato seguinte para R$ 14.745,00”. (Eduarda Hillebrandt)

Coronel Paixão

paixaoO patrimônio declarado pelo vereador Waldyvio da Costa Paixão, o Coronel Paixão (PDT), teve um aumento de 31,9% nos últimos quatro anos, considerando o reajuste do IPCA no período agosto de 2012 a julho de 2016. Na eleição passada, o vereador declarou ao TRE uma casa no bairro Carianos no valor de R$ 275 mil e um carro modelo Honda New Fit alienado sem indicação de ano no valor de R$ 38 mil. Em 2016, a mesma casa é declarada com valor de R$ 400 mil e novamente um automóvel Honda New Fit financiado, desta vez identificado como ano 2012, aparece valendo R$ 49,8 mil. Além desses dois bens, a declaração deste ano contém uma CRV financiada no valor de R$ 73,9 mil, uma aplicação de renda fixa no valor de R$ 32.320 e um depósito bancário de R$ 816,04, totalizando R$ 556.836,04.

A reportagem entrou em contato com o gabinete do candidato mas, até o fechamento da matéria, não obteve resposta aos questionamentos a respeito da sua evolução patrimonial e do valor atribuído ao automóvel Honda New Fit 2012.

Coronel Paixão é um dos dez vereadores denunciados pelo Ministério Público na Operação Ave de Rapina por crime de corrupção passiva.

De acordo com seu perfil no site da Câmara dos Vereadores, Paixão serviu por 23 anos na Base Aérea de Florianópolis e realizou trabalhos comunitários na cidade. Saiu candidato pela primeira vez em 2012, obtendo 2.393 votos. Ao longo do mandato, propôs cinco projetos de lei, entre eles o PLC/01323/2014, que restringe o uso de jalecos por profissionais da saúde fora do seu ambiente de trabalho, e o PL./15720/2014, que propõe a criação da semana de conscientização do autismo no município. (Mariana Rosa)

Dalmo Meneses

dalmoDalmo Meneses concorre para seu sexto mandato e é, dos que tentam a reeleição, o que apresenta o maior patrimônio. O candidato declarou em 2012 R$2.881.166,11 e em 2016 R$3.342.000,00, o vereador é dono de terrenos, apartamentos e um automóvel. Dalmo foi um dos 10 vereadores indiciados pela Operação Ave de Rapina a prestar depoimento no resultado da ação da Polícia Federal.

Na base do PP desde 1996, seu primeiro pleito, o vereador passa a concorrer nas eleições 2016 pelo PSD, que mantém coligação com os progressistas desde 2012. Proprietário de 10 terrenos, a maioria no norte a ilha, com valores que vão de R$ 15 mil a R$ 600 mil reais, até o momento, Dalmo gastou R$35 mil em campanha, que declara como recurso próprio. Além dos terrenos, o vereador é dono de dois apartamentos (um de R$165 mil e outro de R$568 mil), uma Captiva modelo 2016 (R$108 mil) e dois fundos bancários (R$62 mil e R$64 mil). Mesmo assim, considerando o valor da inflação (IPCA), de 2012 para cá, Dalmo teria reduzido em 14% seu patrimônio.

A reportagem pediu esclarecimentos ao vereador por meio de sua assessoria, mas não houve retorno ao pedido até o fechamento desta edição. (Gabriel Volinger)

Deglaber Goulart

deglaber_0Em 2016, o vereador do PSD, Deglaber Goulart, 53, tenta seu quarto mandato consecutivo. Em 2012, declarou possuir um único imóvel, uma casa localizada no bairro de Capoeiras no valor de R$75 mil. Este ano a soma apresentada à justiça pelo candidato é de R$450 mil. Para fins comparativos e aplicando-se o IPCA dos últimos quatro anos (34,8%) sobre o declarado em 2012, a evolução patrimonial foi de 445%. Além da casa, o vereador diz possuir outros dois imóveis no município de Governador Celso Ramos somando R$305 mil e cerca de 40 mil reais em ativos. Questionado sobre o aumento dos seus bens desde a última eleição, Deglaber Goulart não se pronunciou, mesmo diante das insistências da reportagem. Deglaber foi um dos dez vereadores denunciados pelo MPSC na última sexta-feira (9) na investigação da Operação Ave de Rapina.

Nascido em Capoeiras, onde reside, Deglaber começou sua atuação política no conselho comunitário de seu bairro. Por duas vezes assumiu a Secretaria Municipal do Continente. A primeira em 2009, permanecendo no cargo por três anos. Afastou-se em 2012 para concorrer às eleições municipais. Em fevereiro de 2015, o vereador voltou à secretaria, ficando no cargo por cerca de um ano. E deixou a pasta com a proximidade das eleições. Foi nomeado pelo prefeito Cesar Souza do (PSD), partido para o qual o vereador Deglaber Goulart migrou antes de concorrer às eleições deste ano.

Deglaber Goulart disputou sua primeira eleição no ano de 2000 pelo PPS, obteve 996 votos que não foram suficientes para elegê-lo. Em 2004, então filiado ao PSDB, foi o vereador mais votado no continente com 3213 votos, mas apenas o 14º no quadro geral. Foi reeleito em 2008, desta vez pelo PMDB obtendo 4114 votos. Disputaria mais duas eleições pela sigla, em 2012 conseguiu seu terceiro mandato graças ao quociente partidário e em 2014 concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa, sem êxito. Em 2016, o candidato vai às urnas pelo PSD. Deglaber Goulart chegou a sofrer um processo de cassação de mandato por infidelidade partidária quando se filiou ao PMDB em 2007. Em decisão unânime, o TRE-SC decidiu pela cassação de seu mandato. O candidato que alegava sofrer perseguições dentro do partido tucano, apelou para o TSE, que concedeu liminar para que o vereador continuasse no cargo. (Icaro Navarro)

Edinon Manoel da Rosa

dinhoEdinon Manoel da Rosa (PMDB), conhecido como Dinho, está em seu segundo mandato como vereador. Entre os bens declarados à Justiça Eleitoral, seu patrimônio encolheu 22,7% no período. Em 2012, os valores apresentados somaram R$ 105.995,55, que reajustados pelo IPCA (34,8%) representam R$ 142.882,00. Já em 2016, declarou R$110.518,34 em bens.

Chama atenção, no entanto, o fato de dizer possuir R$ 60 mil em dinheiro em espécie proveniente da venda de um veículo em 2007 nas duas últimas declarações. Questionado pela reportagem, o candidato disse que o valor foi colocado na época sob a gestão de um sobrinho, que trabalha como revendedor de carros. Em troca, teria um veículo à disposição para uso em um acordo que dura até hoje.

Dinho da Rosa foi eleito pela primeira vez em 2008, pelo PSB com 3.444 votos. Na eleição seguinte, em 2012, se reelegeu pelo PMDB com 3.069 votos – dessa vez através do Quociente Partidário (QP). Antes disso, já havia sido candidato a vereador em 2000 e 2004 pelo PT, alcançando 528 e 1.008 votos, respectivamente. Representante do norte da ilha, Dinho nasceu na comunidade de São José da Ponta Grossa, Praia do Forte, e atualmente mora em Canasvieiras.

Além de ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, Dinho da Rosa acumula outra função no serviço público. Ele trabalha como assistente administrativo da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital), recebendo as duas remunerações. Pela lei, o cargo de vereador é o único que permite o exercício em paralelo com outros empregos, desde que os horários não sejam conflitantes. Dinho da Rosa explica que desenvolve as atividades na Comcap das 7h às 13h. “As obrigações legislativas formais (sessões) possuem início às 15h.”, completa.

Seu nome consta entre os dez vereadores de Florianópolis denunciados na última semana pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na operação Ave de Rapina, deflagrada pela Polícia Federal em 2014. Na sessão para a cassação dos mandatos dos vereadores César Faria (PSD) e Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PHS), em maio de 2016, votou a favor dos colegas em todas as denúncias a que eles respondiam, ajudando a livrá-los da perda de seus cargos.

O candidato à reeleição se apresenta como defensor do meio ambiente. Entretanto, em casos polêmicos como a Ponta do Coral, votou em 2013 pela emenda que torna o local uma área turística de lazer, que permite edificações de até seis andares ocupando 50% da área construída. Na mesma sessão, votou contra o projeto que buscava tornar o espaço uma área verde de lazer. (Joelson Cardoso)

Ed Pereira

edAos 32 anos, Edmilson Carlos Pereira Junior, mais conhecido como Ed Pereira, busca o seu segundo mandato como vereador com a maior evolução patrimonial declarada durante apuração do Farol Eleitoral. O candidato aumentou em quase 6 vezes o total de seus bens desde sua primeira candidatura, em 2012. Na época de sua primeira declaração fornecida à Justiça Eleitoral, Ed Pereira afirmou possuir um total de R$70.000 e nesta eleição informou R$560.048,26. Levando em consideração o reajuste pela inflação, segundo o IPCA, o montante informado em 2012, corresponderia a R$94.360,00. Ou seja, comparando esse valor com o atual, Ed Pereira evoluiu seu patrimônio em 593%.

Há quatro anos, o candidato possuía um terreno, avaliado em R$50.000,00 e um veículo do modelo Clio, de R$20.000,00. Desde então, trocou seu carro por um modelo Hyundai I30, de R$56.000,00, adquiriu uma construção de R$186.236,21, um terreno no valor de R$66.593,38 e um apartamento de R$179.096,44. Além disso, disse possuir caderneta de poupança de R$182,51, quotas ou quinhões de capital num total de R$4.000,00, depósito bancário em conta corrente de R$16.266,36 e outros bens imóveis avaliados em R$51.673,36.

O candidato justifica o salto em seus bens no curto período: “Ao assumir em 2013 o cargo de vereador, investi desde o primeiro semestre o salário em aquisições pessoais, na qual [sic] o parcelamento de todos os bens adquiridos não foram quitados”. Ed Pereira destaca também que é sócio da Malandrus, empresa de confecção infantil que atua na cidade há 32 anos, sinalizando que seu bom desempenho econômico se deva a essa condição.

Em 2012, quando entrou para a política, concorrendo ao cargo de vereador, pelo PSB, foi eleito com 2.950 votos. Além de sua atuação na Câmara Municipal, Ed é fundador do Instituto Lagoa Social, associação sem fins lucrativos. Entre suas ações como vereador está o projeto de lei complementar 01538/2016, que regulariza aplicativos de contratação de serviços de transporte individual de passageiros, como o Uber, na capital. O projeto está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e ainda precisa passar por mais duas comissões para, então, ser votado.

O candidato foi denunciado na investigação da Operação Ave de Rapina, no último dia 9 de setembro. Ed Pereira teria recebido R$15.000,00 para garantir agilidade na tramitação e publicação do Decreto Municipal regulamentador da Lei Complementar n° 422/2012, que normaliza a publicidade de outdoors, luminosos e placas espalhadas por Florianópolis. Ele também teria recebido cortesias de mídia publicitária exterior. A denúncia foi protocolada na Vara do Crime Organizado e o juiz Rafael Brunning decidirá se aceita ou não a acusação. Caso a decisão seja positiva, os acusados passam a ser réus na ação penal. (Leisiliê Caroline da Silva)

Nesta sexta-feira (16), o vereador mandou ao site a seguinte mensagem sobre seus bens:

O referido imóvel (terreno) adquirido na Nova Palhoça no valor de 50.000,00 mil reais, é o mesmo que sofreu valorização patrimonial e, em 2015, passou a valer 66.593,38.

Destaco também que sou um dos sócios proprietários da empresa Malandrus. Em 2014, ao final do ano, tive um rendimento de 17.00,00 (dezessete mil reais), sendo que em 2015 o rendimento foi de 18.810,00 (dezoito mil oitocentos e dez reais), totalizando uma média de 35.000,00 (trinta e cinco mil reais.

O citado imóvel adquirido para construção no valor de 186.236,21 (cento e oitenta e seis mil duzentos e trinta e seis reais e vinte e um centavos), na verdade foi um empréstimo adquirido no valor de 160.000,00 (cento e sessenta mil reais) para construção em cima do terreno que o vereador já possui na Nova Palhoça. 


Sobre a aquisição do veículo Hyundai no valor de 56.000,00 (cinquenta e seis mil reais), informo que o mesmo foi adquirido através de financiamento, pois, para sua aquisição, foi dado como entrada um veículo Renault Clio no valor de 17.500,00 (dezessete mil e quinhentos reais), mais 10.500,00  (dez mil e quinhentos reais) em dinheiro, o que totalizam 27.500,00 (vinte e sete mil e quinhentos reais). 
Solicito a especificação dos valores referente ao crescimento patrimonial para que sejam evitadas errôneas interpretações sobre o caráter do vereador.”

Edson Lemos

vero_edinho_lemosEdson Lemos, o Edinho, busca a reeleição pelo PSDB. Filho do ex-vereador Onildo Lemos, representa o Norte da Ilha, onde vive. É formado em Administração, trabalhou em diversos cargos comissionados na administração pública, no Executivo e no Legislativo. Comandou o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis, órgão responsável pela organização da Fenaostra. Foi eleito em 2012 com 2.662 votos. Desde 2015 é o primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara.

Nesta eleição, Edinho Lemos declarou patrimônio total de R$ 104.930,71, crescimento de 18,3% em relação a 2012, já descontada a inflação pelo IPCA. Seus bens se resumem a dois automóveis, R$ 650 depositados numa conta e R$ 60.280 em espécie. A reportagem questionou o vereador por email sobre o motivo de guardar tal quantia em dinheiro fora de uma instituição financeira e ele informou que o valor está relacionado com assunto familiar. “Obviamente que mais ninguem guarda dinheiro em casa. O que ocorre é que o lançamento “em espécie” é referente a valores relacionados a assuntos familiares, que me reservo no direito de não expor a público.”

A maioria dos projetos apresentados pelo vereador no primeiro mandato denomina vias públicas ou reconhece entidades como sendo de utilidade pública. Mas também há propostas sobre temas sensíveis, como coleta de lixo, esgoto e o serviço de táxis do município. (Evandro de Assis)

Erádio Gonçalves

vero_eradioErádio Manoel Gonçalves, candidato à reeleição na Câmara de Florianópolis, declarou em 2012 um patrimônio de R$ R$ 220 mil. Aplicando a inflação (baseado no Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA) de 34,8%, do período entre agosto de 2012 e julho de 2016, o valor iria para R$ 296.560,00. Mas em 2016 ele declarou R$ 463 mil, representando um aumento de 56,1% no período.

Indagado sobre sua evolução patrimonial, o candidato respondeu que “os bens declarados nesta eleição são os mesmos declarados em declaração de imposto de renda que pode ser visualizado também no site do TRE todos os bens”. Erádio completa: “A diferença entre 2012 e 2016 foi que no ano de 2014 adquiri um terreno no município de Garopaba e em 2015 um novo veículo, conforme consta em lista de bens do site do TRE”.

Além do seu patrimônio declarado e o salário como vereador – de R$ 15.334,85 -, o candidato ainda recebe uma aposentadoria da Assembleia Legislativa, como consultor legislativo, de R$ 24.710,35 brutos. A informação é do o Portal Transparência da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina.

Em 2015, ele assumiu a presidência da Câmara Municipal de Florianópolis, período conturbado que teve, inclusive, processo de cassação de dois vereadores: Cesar Faria (PSD) e Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PHS). Ambos acabaram inocentados pela Câmara.

Em 2014, Erádio Gonçalves foi citado pela Polícia Federal (PF) em uma lista que continha nove vereadores e quantias em dinheiro entre os documentos apreendidos na sede da empresa Visual Brasil, na Operação Ave de Rapina. Em 2016, o Ministério Público de Santa Catarina desconsiderou a menção por não ter fatos suficientes para “dar lastro a uma ação penal neste momento”.

Erádio enfrentou, em 2015, uma denúncia de cassação do mandato, movida pelo servidor público Alexandre Magno, que o acusava de envolvimento na Ave de Rapina. A Câmara arquivou o pedido. (Lívia Rezende)

Guilherme Botelho da Silveira

vero_gui_botelho_2Em 2012, Guilherme Botelho, 32, não declarou bens à Justiça Eleitoral, mas neste ano apresentou uma poupança de R$63.405. Indagado sobre sua evolução patrimonial, o vereador confirmou que esse é o único bem em seu nome. Além disso, o candidato à reeleição pelo PSDB utiliza uma Toyota Hilux comprada por seu pai em 2015. Segundo Botelho, o dinheiro depositado em sua poupança integra a quantia que pretende devolver ao parente em troca do registro do veículo em seu nome.

Natural de Florianópolis, Botelho mora no bairro Itacorubi com os pais. Formado em Administração, atualmente trabalha também como músico. Durante seu mandato, foi autor de seis projetos de lei e cinco projetos de legislação complementar, um deles transformado em lei.

Mesmo sendo da base aliada do prefeito César Souza (PSD), Guilherme Botelho foi contra o projeto de lei que alterava o regime de previdência dos servidores públicos, que foi arquivado recentemente. (Maria Fernanda Salinet)

Gui Pereira

imageGuilherme Pereira de Paulo, popularmente conhecido como Gui Pereira, é candidato à reeleição para vereador em Florianópolis pelo PR. É formado em Administração de Empresas e se denomina legítimo manezinho. Seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, durante os quatro anos no poder, aumentou 83,5%, já descontada a inflação do período pelo IPCA. Gui Pereira declarou R$ 286.899 em 2012 (com a correção, R$ 386.739,85), e em 2016, R$ 709.720.

O candidato avalia o aumento de seu patrimônio como inferior ao que recebeu na Câmara nos quatro anos de mandato, e completa: “Sempre trabalhei desde jovem e continuei com minha atividade empresarial durante esta legislatura. Sou sócio de duas empresas, cujas movimentações e patrimônios são integralmente declarados à Receita Federal”.

Na declaração de 2012, destaca-se o valor de R$121.000, referente a um apartamento no centro de Florianópolis. Em 2016 o único imóvel declarado é uma casa no bairro Abraão por R$120.000. O veículo do candidato na primeira declaração foi um Pajero Sport, de R$64.899. Neste ano, ele não declarou possuir automóvel. “Atualmente dispomos de somente um veículo na família, que é de propriedade da minha esposa, razão pela qual consta do imposto de renda dela”, explica. Gui Pereira, em 2012, declarou ter R$ 101.000 em espécie, neste ano o valor em dinheiro vivo aumentou para R$250.000.

A principal diferença entre as duas declarações é a participação em ações societárias de duas empresas. Na empresa Trina Comércio de Alimentos LTDA, Gui tem 9% de participação, que equivale a R$ 1.800. A outra empresa é a GRA Distribuidora LTDA, com R$7.920 em 91% de participação e R$330.000 em crédito.

“Os quase oito mil reais são referentes ao capital social da empresa, quando da sua criação. Já esses R$ 330 mil, são valores que eu transferi para referida empresa, justamente para integralização e aumento do capital social dela”, informa.

Em 2008, Gui candidatou-se pela primeira vez, obtendo 2.805 votos que o tornaram o 1º suplente do partido na Câmara. De lá para cá, a cada disputa ele representou um partido diferente. Segundo dados da Justiça Eleitoral, em 2008 ele concorreu pelo DEM. Em 2012, e tornou-se líder do PSD no Legislativo. Agora está no PR.  Gui Pereira teve o seu sigilo telefônico quebrado em janeiro de 2016, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina, na investigação da Operação Ave de Rapina, mas não foi indiciado. A Operação indiciou 14 vereadores de Florianópolis. (Michel Gomes)

Lino Peres

linoNos últimos quatro anos, o arquiteto, professor e vereador Lino Peres apresentou uma redução de bens e hoje mora de aluguel no bairro Centro. Em 2012, quando foi eleito vereador pela primeira vez, Peres disse possuir uma casa no bairro Cachoeira do Bom Jesus e um veículo Daewoo Tico, totalizando R$294.000,00. Para fins desta reportagem foi aplicado o IPCA ao valor total de 2012, com correção inflacionária do período, resultando no valor atualizado de R$396.312,00 em bens. Em 2016, no entanto, o candidato declarou possuir apenas um carro Fiat Ideia no valor de R$36 mil. Peres justifica a diminuição pelo processo de separação e divisão de bens que passou no período. Comparando os dois processos de declaração de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral, de 2012 e 2016, o candidato teve uma redução de 91%.

Ex-presidente e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores de Florianópolis, o candidato foi eleito com 2.174 votos por Quociente Eleitoral em 2012. O candidato à reeleição defende pautas relacionadas a urbanismo, habitação, saneamento e mobilidade.

Como vereador atuou principalmente na fiscalização e monitoramento do poder Executivo, assim como na criação de audiências públicas. Peres apresentou projetos de leis complementares e emendas à lei do município que ainda estão em tramitação, voltadas às questões de zoneamento urbano, infraestruturas para ciclistas, espaços públicos e culturais.

Em 2008, concorreu pela primeira vez como vereador, quando obteve 2.423 votos (249 a mais do que em 2012), ficando como suplente até 2011 quando assumiu brevemente o cargo, substituindo o até então vereador Márcio de Souza. Ainda em 2010, concorreu a deputado estadual, obtendo baixo número de votos para o estado (2.630). (Miriam Amorim)

Marcelo da Intendência

vero_marcelo_da_intendenciaMarcelo Fernando de Oliveira, conhecido como Marcelo da Intendência, 48 anos, mais do que dobrou o valor total da lista de bens declarados à Justiça Eleitoral entre 2012 e 2016, período de seu primeiro mandato como vereador de Florianópolis. Ele concorreu em 2008 pelo PSB, sem sucesso, e foi eleito em 2012 como o sexto vereador mais votado, pelo PDT. Agora, tenta a reeleição, desta vez pelo PP: seu terceiro partido em menos de dez anos.

Na eleição de 2012, todos os bens somados resultavam num montante de R$ 85.217,29. Todos os valores foram fornecidos pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral e o cálculo de evolução leva em conta o IPCA do período (34,8%) calculado pelo Banco Central. Ao aplicar essa inflação no valor de 2012, em quatro anos, o patrimônio valeria R$ 114.872,90. Mas, na declaração deste ano, Marcelo informa bens no valor total de R$ 412.174,45.

Nas duas últimas declarações, consta um terreno nos Ingleses no valor declarado, tanto em 2012, como em 2016, de R$ 55.000. Para as eleições deste ano, Marcelo declarou mais dois terrenos, nos valores de R$ 40.000,00 e R$ 75.521,81. Além disto, foi declarado um automóvel de R$ 31.652,64, uma benfeitoria de R$ 12.000 e a participação em uma empresa de empreendimentos imobiliários de R$ 198.000,00.

Marcelo, que como vereador possui informações privilegiadas sobre zoneamento e licenciamento de áreas na cidade, afirmou que mantém a imparcialidade da sua empresa: “Apesar da participação societária na empresa não participo da administração da mesma. O sócio administrador segue rigorosamente todos os requisitos legais exigidos”.

Na evolução patrimonial, Marcelo da Intendência teve um dos mais destacados aumentos na lista de bens declarados entre todos os vereadores que concorrem à reeleição (358%). Ele disse ao Farol Eleitoral que “a evolução está de acordo com o aumento natural da renda comprovada ao longo das declarações anteriores, por meio de empréstimos, venda de bens, redução de recursos financeiros e uma doação específica da família de minha esposa”.

Sobre o terreno nos Ingleses que não apresentou valorização nos últimos quatro anos, o vereador diz que “de acordo com o RIR/1999 é proibido atualizar o preço do imóvel pelo valor de mercado. Na declaração, tem de ser mantido o valor original de compra. A única maneira de alterar o custo de aquisição de um imóvel é por meio de despesas com construção, ampliação ou reforma do imóvel”.

Marcelo foi autor de 22 projetos de lei novos ou complementares na Câmara de Vereadores nos últimos quatro anos, dentre os quais, treze são denominações de ruas, travessas, creches. Dos outros, destaque para o PL 16349/2015, que obriga a presença de ambulância nas UPA’s da capital, e o PLC 01411/2015, que institui 50% de gratuidade no transporte coletivo para alunos de cursinhos pré-vestibulares.

Marcelo da Intendência é um dos dez vereadores denunciados pelo Ministério Público depois das investigações da Operação Ave de Rapina, da PF, com a acusação de receber valores em dinheiro para votar projetos segundo interesses de empresários. (Murici Balbinot)

Pedro de Assis Silvestre

pedrooO candidato Pedro de Assis Silvestre, conhecido como Pedrão, é um nativo da ilha de 29 anos, formado em Administração Pública pela UDESC/ESAG. Popular no seu bairro, Coqueiros, e entre a comunidade de surf, o candidato se elegeu para vereador em 2012, com 2699 votos.

A evolução patrimonial do vereador caiu 76% no total dos bens apresentados à Justiça Eleitoral áh quatro anos. Em 2012, quando foi eleito vereador, Pedrão possuía dois carros e dois apartamentos, que somavam R$ 452 mil, e hoje em dia, com valores corrigidos pela inflação, valeriam R$ 609.296,00. Durante as eleições deste ano, Pedrão declarou que um dos apartamentos já não está mais em sua posse, ele dirige apenas uma Kombi, avaliada em R$ 1.500,00, e guarda cerca de R$ 6 mil em uma conta corrente. No total, seu atual patrimônio equivale a aproximadamente R$ 142 mil.

Questionado sobre as mudanças em seu patrimônio, o vereador afirmou que seus bens reduziram porque sua família “tinha como bens imóveis dois apartamentos, os quais foram declarados na primeira eleição”. “Por dívidas anteriores e antigas, os apartamentos foram hipotecados, e com base nesta hipoteca (judicial), infelizmente, tive de vender um dos apartamentos para poder quitar a esta dívida”, completou. Ele reconhece a propriedade de um imóvel. “Foi graças a isso, que hoje nos restou um apartamento, que está declarado no imposto de renda, sendo ele nosso único imóvel.”

Durante o mandato, Pedrão propôs 50 projetos de lei, visando principalmente a incentivar a cultura e tratar de assuntos de patrimônio natural e preservação ambiental. Entre as propostas estão: a concessão de 50% de desconto para doadores de sangue em eventos culturais, regulação da doação e comercialização de gatos e cachorros, instituição da semana do lixo zero e a alteração de leis para reforçar alocação eficiente de recursos em fins ecológicos. A maioria delas ainda está em processo de tramitação pelas instituições legais. “Conseguimos efetivar poucas leis nesse mandato, pois claramente fui boicotado na Câmara pelos demais parlamentares, porém dentre as poucas leis aprovadas, destaco a Lei Complementar 561 de 2016, que tornou obrigatório a captação de águas das chuvas em novas edificações em nossa cidade com mais de 200 metros quadrados.” Foram os comentários do vereador sobre sua agenda legislativa.

Pedro foi um dos nove vereadores citados em um dos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Ave de Rapina, que investigou um esquema de corrupção onde dinheiro teria sido transferido pelo empresário Adriano Nunes, para políticos, com o intuito de modificar a legislação do projeto Cidade Limpa. Na atual denúncia do Ministério Público, o candidato não se encontra mais em posição de agente direto dentro dos esquemas de corrupção, mas é acusado de não efetivar denúncia, tendo ciência do esquema.

Pedrão negou veementemente seu envolvimento. Questionado sobre as menções na denúncia do MP, o vereador salienta que “o meu papel é de testemunha de acusação da operação, ou seja, não há nenhuma irregularidade ou desvio de conduta da minha parte diante do cargo público. Além disso, atualmente estou com assistência de segurança pela PF devido ao risco e ameaças vindas após a efetivação da denúncia” contrariando assim o conteúdo do documento. (Pedro Bermond Valls)

Ricardo Camargo Vieira

vero_ricardoRicardo Camargo Vieira, 39, busca o terceiro mandato consecutivo como vereador de Florianópolis. De acordo com dados do sistema público de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vieira declarou um patrimônio de R$ 245.000,00. Com a correção da inflação, o valor é 18,4% menor que o declarado na disputa em 2012.

Na eleição passada, foram declarados uma residência no valor de R$ 180.000,00, um Fiat Palio 2009/2010 financiado e alienado por R$ 22.000,00 e um Ford Ka 2009/2009 financiado e alienado de R$ 20.500,00, o que totalizava R$ 222.500,00. Com a aplicação da inflação de 34,8%, calculada no período de agosto de 2012 a julho de 2016, o valor é corrigido para R$ 299.930,00. Os valores declarados na disputa passada foram reajustados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A lista atual é composta pela casa no bairro Sambaqui agora no valor de R$ 200.000,00 e um carro Chevrolet Spin 4P Manual, de R$ 45.000,00, o que resulta no patrimônio de R$ 245.000,00.

A equipe do Farol Reportagem entrou em contato com Ricardo Camargo Vieira para que explicasse a disparidade dos valores entre as declarações. A assessoria do candidato informou que “em virtude da correria de campanha não foi possível responder as perguntas”.

Ricardo Camargo Vieira é natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, mas veio para Florianópolis ainda criança. Ele é médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), especializado em Medicina da Família e Comunidade e mestre em Saúde Pública. Também é servidor público municipal e estadual.

Iniciou a carreira política em 2007 ao se filiar ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pelo qual foi eleito vereador em 2008 e 2012. Tentou o cargo de deputado federal em 2010, mas não se elegeu. Após passagem pelo Partido da República (PR), concorre à vaga na Câmara Municipal neste ano pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Já foi diretor do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) e presidente da Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap).

Desde 2011, o vereador de Florianópolis, atualmente licenciado, responde a processo no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC) por improbidade administrativa. Ele foi indiciado por denúncias de compra de votos para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal. Em fevereiro do ano passado, foi condenado pelo juiz de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública, Luiz Antônio Zanini Fornerolli, à suspensão dos direitos políticos por cinco anos mais multa de 50 vezes o valor da remuneração que recebia como vereador na época. Vieira recorreu da decisão.

Outro processo também está em andamento no Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC) por suspeitas de irregularidades em dezembro de 2013 a março de 2014, período em que o vereador era presidente da Comcap. Ele é acusado de assinar contratos sem licitações, efetuar pagamentos de serviços sem que estes tenham sido devidamente comprovados e realizar despesas desnecessárias em período de dificuldade financeira da companhia. Os dois processos estão em andamento.

Ricardo Camargo Vieira também é um dos 10 vereadores denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na operação Ave de Rapina. (Samantha Sant’Ana)

Roberto Katumi

vero_katumeEleito pela primeira vez como vereador em 2012 com 2321 votos pelo PSB, Roberto Katumi Oda teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral, na semana passada. Segundo o Ministério Público Eleitoral, o vereador não prestou contas ao Tribunal de Contas do Estado sobre o uso de verbas do Fundosocial quando exercia o cargo de presidente da Associação de Moradores e Amigos da Armação do Pântano do Sul, ficando, dessa forma, inelegível. Roberto Katumi alega que a mesma justificativa teria sido usada para impugnar sua campanha em 2012 e foi recusada. O vereador diz que vai recorrer da decisão e que não vai interromper sua campanha pelo PSD.

Em 2004, 2008 e 2012, o Roberto Katumi Oda havia declarado à Justiça Eleitoral não possuir bens. O candidato declarou em 2016 possuir um apartamento na Praia Brava e uma motocicleta, totalizado 344 mil reais. Para explicar a evolução patrimonial, o vereador alega que o apartamento foi financiado junto à Caixa Econômica Federal e não é dele definitivamente.

O candidato já conquistou a 3ª suplência do DEM, em 2008, tendo assumido a vaga do vereador César Faria em 2009. Ex-servidor público estadual, Roberto Katumi agora se dedica exclusivamente à função de vereador.

Roberto Katumi já ocupou o cargo de diretor adjunto administrativo e financeiro da Fundação Municipal de Esportes entre 2009 e 2010. Com reduto eleitoral no Sul da Ilha, é presidente do Bandeirantes Recreativo Futebol Clube, no Alto Ribeirão Leste, próximo à Lagoa do Peri. Outro cargo da prefeitura ocupado por Katumi a partir de outubro de 2015 foi a Secretaria de Pesca, Maricultura e Agricultura, que deixou no começo deste ano para concorrer às eleições.

Roberto Katumi também foi um dos 10 vereadores de Florianópolis denunciados pela Operação Ave de Rapina, da Polícia Federal. Roberto Katumi teria recebido 20 mil reais para evitar que projetos contrários ao grupo de empresários envolvidos no escândalo fossem aprovados. Em julho deste ano, votou contra o relatório da CPI dos radares, que investigava os fatos denunciados pela Operação Ave de Rapina. (Victor Milezzi)

Romeu Pompílio

vero_romeu_pompilho_1Romeu Anselmo Pompílio (PTB) conquistou a vaga como suplente na eleição de 2012 com 1.167 votos pela Coligação Avança Florianópolis 1, composta por PRB, PR, PRP, PCdoB e PTdoB. Disputou a eleição anterior pelo PR. Assumiu a vaga na Câmara de Vereadores da Capital no dia 12 de julho deste ano, após a saída por 61 dias e sob alegação de motivos pessoais do vereador licenciado Ricardo Camargo Vieira (PMDB).

Segundo sua página oficial no Legislativo municipal, o vereador tem 46 anos, empresário e advogado, mas diz que sempre sonhou em estar na vaga de vereador. “Estar aqui é um sonho que vem desde 1992. Essa é uma luta constante, dia após dia. A gente atrasou em 20 anos a realização deste sonho e todos que estão aqui contribuíram para este mandato”, discursou o novo parlamentar no dia da sua posse. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, o candidato a reeleição não declarou bens em 2012 e manteve a posição de não declarar nenhum patrimônio ao registrar a candidatura em 2016.

Procurado pela reportagem por email e por meio de contato telefônico com seu gabinete, a sua assessoria confirmou o recebimento da mensagem eletrônica, mas não retornou até o fechamento desta edição o pedido de esclarecimentos do Farol Eleitoral. (Lúcio Lambranho)

Vanderlei Farias, o Lela

1891081_435593146586873_804266242_nTeve seu sigilo telefônico quebrado pela Justiça na Operação Ave de Rapina nas investigações sobre a tramitação do projeto de lei Cidade Limpa. É um dos 17 vereadores dos 23 vereadores da Capital sob investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na mesma situação. Foi presidente da CPI dos Radares que investiu o ex-presidente da Casa, Cesar Faria no caso que o MPSC chama de “evento Kopp-Focalle”, as duas empresas que teriam sido, segundo denúncia já apresentada na Justiça, contratadas pelo Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). O vereador também destaca sua atuação na Presidência do Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares e na Intendência do Campeche.

O vereador negou seu envolvimento e a sua relação com o empresário acusado de ser o mentor do esquema. “Não tive nenhum contato com empresários do setor neste período. Conheci o Adriano Nunes quando o projeto do Cidade Limpa começo a tramitar na Câmara.” Na sua página oficial, Lela diz que é “manezinho com orgulho”.

Foi eleito em 2012 com 2.558 votos e na última eleição não declarou bens a Justiça Eleitoral. Seus bens declarados nesta eleição somam R$ 415.035,26. Na denúncia apresentada pelo MPSC, a promotoria pede novas diligências sobre a participação do vereador, além de um novo depoimento dele, mesmo sem relacionar seu nome entre os denunciados:

“a) o Banco Bradesco informe a origem dos diversos créditos dos valores de R$ 4.999,99 na conta n. 0348, agência n. 418379-7, de titularidade Vanderlei Farias no período de julho/2013 à julho/2014;

c) reinquira Vanderlei Farias para que esclareça o conteúdo das conversas que travou com Adriano Fernando Nunes, com integrante da empresa Alternativa Soluções e Publicidade Ltda. (de propriedade de Leonardo Valdir Machado e Fabiano Ribeiro Nunes) e Grupo Catarinense de Mídia Exterior (de propriedade de Flávio Nunes de Siqueira) durante o período de 1º/1/2013 à 30/7/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal, tendo em vista que no interrogatório de fls. 258/261 mencionou “QUE conheceu ADRIANO FERNANDO NUNES apenas durante reunião ampliada realizada na Câmara para debater o projeto CIDADE LIMPA; QUE não possui negócios ou amizade íntima com ADRIANO” e que “QUE conheceu apenas o representante da empresa ELDORADO, de nome FLÁVIO com quem manteve contato em 2008 para instalação de painéis no terreno do conselho comunitário Fazenda do Rio Tavares; QUE nada sabe sobre eventual pagamento de propina por tais representantes”;

d) reinquira Flávio Nunes de Siqueira para que esclareça o conteúdo das conversas que travou com Vanderlei Farias durante o período de 1º/1/2013 à 30/7/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal;
e) reinquira Adriano Fernando Nunes para que esclareça o conteúdo das conversas que travou com Vanderlei Farias durante o período de 1º/1/2013 à 30/7/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal;

f) reinquira Leonardo Valdir Machado e Fabiano Ribeiro Nunes para que esclareçam quem era o usuário do terminal 48-9816-0000, bem como (no caso de ser um deles) que informem o conteúdo das conversas com Vanderlei Farias durante o período de 1º/1/2013 à 30/7/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal. No caso de ser outra pessoa da empresa que seja indicada pelos sócios que ela seja inquirida para esclarecimento do teor do conversado;”.

“Vanderlei Farias declara anualmente seus bens, sempre de acordo com os termos da lei. Alertando, que para ser candidato, assim como todos os outros, ele teve que entregar sua declaração, haja vista ser item obrigatório para tal. É lamentável não estar disponível no site do TRE, mas isso foge do nosso alcance. Segue anexo para conferencia, a declaração referente ao ano de 2012”, alegou o vereador em resposta ao Farol Eleitoral.

Em resposta ao site, a assessoria de Comunicação do TRE-SC informou que não tem como verificar se os dados foram entregues pelo vereador, pois não tem acesso ao sistema de divulgação das eleições de 2012. A reportagem fez contato com o promotor eleitoral por meio da assessoria de Comunicação do MPSC, mas também não foi possível verificar porque a declaração de 2012 não está no sistema da Justiça Eleitoral.

Sobre a denúncia da Operação Ave de Rapina, Lela declarou ao jornal Diário Catarinense: “Estranho demais isso aí. Jamais iria me meter em um rolo desses aí. A origem do crédito que ele pede é um absurdo. É uma pena que o MP-SC não tenha solicitado isso antes, porque eu já teria esclarecido até mesmo enquanto fui presidente da CPI dos Radares”.  (Lúcio Lambranho)

Em nova mensagem enviada ao site, o vereador alega que teve uma evolução patrimonial de “menos de 10%”. Segundo documento enviado por Lela, a sua declaração de imposto de renda, em 31 de dezembro de 2013, registra um total de bens declarados no documento de R$ 409.393,56 em comparação ao declarado à Justiça Eleitoral neste ano no valor de R$ 415.035,26.

“É lamentável o TRE cometer um equívoco deste nível, não publicando minha declaração em 2012, o que volta a frisar, é ITEM OBRIGATÓRIO para candidatura, e que se por ventura não tivesse enviado tal documentação, hoje não seria vereador”, afirma em nota.

Além disso, também se antecipa ao pedido de diligências do MPSC na investigação da Operação Ave de Rapina, cita no seu perfil, conforme nota enviada por sua assessoria: Os valores depositados em sua conta, foram na verdade transferências do seu próprio salário, feitas a partir de duas contas em seu nome, por ele mesmo, de um banco para outro. O que já foi informado e devidamente comprovado ao MP/SC.”

Tiago Silva

tiago_silvaTeve seu sigilo telefônico quebrado pela Justiça na Operação Ave de Rapina nas investigações sobre a tramitação do projeto de lei Cidade Limpa. É um dos 17 vereadores dos 23 vereadores da Capital sob investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na mesma situação. “Tenho minha consciência tranqüila e não existe nenhum pedido meu para nenhum empresário”, disse o vereador que na época da quebra de sigilo determinada pela Justiça ocupava o cargo de secretário municipal de Defesa do Cidadão.

Foi nomeado para o cargo em 10 de abril de 2015. Deixou a secretaria em fevereiro deste ano e retornou ao posto de vereador. Trocou o PDT, partido pelo qual foi eleito em 2012, pelo PMDB em março deste ano e sob a influência do seu principal aliado político, o senador Dário Berger (PMDB).

Tiago Silva foi o vereador mais votado na última eleição municipal com 6.860 votos. Segundo sua biografia oficial, começou a se tornar conhecido após sua passagem pela coordenadoria de Turismo da Prefeitura e por ter conseguido resgatar o carnaval da capital. Silva se diz o idealizador da Parada da Diversidade e, que segundo o vereador, “transformou Florianópolis num dos palcos de luta contra homofobia”. Teve uma evolução patrimonial de +48,7%, saindo de R$ 207 mil declarados em 2012 para R$ 279.036,00 (valor corrigido pelo IPCA nesta eleição.

Na denúncia apresentada pelo MPSC, a promotoria pede novas diligências sobre a participação do vereador, além de um novo depoimento, mesmo sem relacionar seu nome entre os denunciados:

“- o conteúdo da conversa que travou com Pedro Gonçalves da Silva em 28/6/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal, tendo em vista que no interrogatório de fls. 81/83 mencionou “QUE não conhece os representantes das empresas MIDIAMIX, ELDORADO, VISUAL BRASIL, CRIATIVA, ALTERNATIVA MÁXIMA, IDEIA MÍDIA, TOP PAINEIS, BARBIERI e VISUAL PAINEIS; QUE não conhece PAULO NUNES (PAULÃO), proprietário da empresa MIDIAMIX”; e – a contradição entre seu interrogatório de fls. 81/83 e as atas de votação da 120ª e 121ª Sessões Ordinárias da Câmara de Vereadores de 2013, no que diz respeito a sua votação favorável ao projeto substitutivo global apresentado pelo vereador Marcos Aurélio Espíndola;

– h) reinquira Pedro Gonçalves da Silva para que esclareça o conteúdo da conversa que travou com Tiago da Silva em 28/6/2014, conforme relatório de análise dos cruzamentos de extratos telefônicos juntado aos autos pela polícia federal;”.

“Minha evolução patrimonial dá-se devido ao aumento na minha remuneração salarial após ser eleito democraticamente e ocupar um cargo no Legislativo da Câmara Municipal. Em 2011, possuía um imóvel adquirido através de financiamento, e um veículo de passeio modelo popular, no qual eram pagos mensalmente com a renda de R$ 4.000,00 proveniente de salário. Minha renda salarial mensal como vereador da Câmara de Florianópolis é maior que o valor anterior como podes verificar no link abaixo do portal transparência”, afirma o vereador em resposta ao site. “Investi parte dessa renda em outro imóvel com uma localização melhor e portanto com valor maior de compra e venda. Adquiri também um novo financiamento de veículo. Não sou um homem rico, sou um homem que trabalha e vivo deste trabalho que faço com muito esmero, determinação e amor, como tudo em minha vida! Agradeço o seu contato e me coloco a disposição para outras informações, se necessárias”, completa Tiago Silva. Sobre a denúncia do MPSC, Tiago Silva informou por meio do seu advogado ao jornal Diário Catarinense que ainda não teve acesso à denúncia e não tomou conhecimento dos motivos que o pedido de novas diligências. (Lúcio Lambranho)

Levantamento compara informações dadas ao TRE-SC entre 2012 e 2016 e mostra que 15 dos 22 candidatos analisados na Capital viram seus bens aumentarem desde a última eleição.

*Diferente do que informamos anteriormente, o vereador Ed pereira (PSB) não poderá ser afastado apenas por ter sido denunciado na Operação Ave de Rapina.

 

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