Saiba como as mulheres estão representadas nas coligações e partidos que disputam a eleição na capital

 

Afastamento das mulheres é problema social, diz Angela Albino

PT e o PC do B, que compõem a coligação “Unidade pela Democracia”, afirmam se preocupar com o envolvimento das mulheres na política: de acordo com o estatuto do PT, pelo menos 5% do fundo partidário deve ser direcionado à promoção e difusão da participação delas. No PC do B, o estatuto afirma que são prioridades as ações para igualar os direitos entre os gêneros, lutando contra a discriminação e buscando a emancipação das mulheres.

A aliança tem oito candidatas na disputa das eleições deste ano na Capital: para a prefeitura, a representante é a deputada federal Angela Albino (PC do B), que foi a última vereadora da capital. Na disputa por cadeiras na Câmara Municipal, concorrem pelo PC do B, Ivone Perassa, Migue Silva e Nair Padilha, e pelo PT, Carla Ayres, Consuelo Sielski, Marilda Rangel e Tati do Espetinho. Juntas, eles equivalem a 31,8% dos 22 candidatos a vereador da coligação, parcela muito próxima da cota mínima exigida em lei.

Quatro das mulheres que tentam vaga no legislativo local já participaram de campanhas, todas sem sucesso: em 1996, Ivone Perassa teve 200 votos em Palhoça, Marilda Rangel tornou-se suplente com 74 votos em Florianópolis e Nair Padilha teve o mesmo destino com 21 votos. Migue Silva concorreu em Chapecó em 1988, mas, assim como outros 21 candidatos, não obteve nenhum voto. Nem mesmo o dela.

Algumas candidatas concentram seus discursos nas questões de gênero. Ivone Perassa, por exemplo, propõe a garantia de acesso ao Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (CCFV). Migue Silva destaca a necessidade de creches noturnas para as mães que trabalham e são estudantes. Carla Ayres defende áreas de amamentação e fraldários fora dos banheiros. Consuelo Sielski quer fiscalização nas políticas públicas para mulheres.

Angela Albino, que está em sua sétima eleição, já foi eleita em duas oportunidades: em 2004, como vereadora e em 2010, foi a única mulher a conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alesc).  Em 2012, tentou, pela segunda vez, ser prefeita da Capital, sendo a terceira mais votada. Questionada pela reportagem sobre as propostas de governo voltadas às mulheres, a candidata afirmou que tem medidas concretas para combater a violência contra a mulher e para a ampliação dos direitos através da criação de um órgão específico: “A criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, além de ter função de concentrar, criar e implementar estas ações, tem também o papel orçamentário importante. É ali que será reservado boa parte do orçamento para tais projetos”, explica.

Ainda sobre a origem dos recursos para tais medidas, a candidata reiterou que “não é possível falar em políticas públicas para as mulheres sem previsão orçamentária responsável e significativa”. Sobre a pouca quantidade de candidatas em sua coligação, Angela Albino afirmou que “a lei está ficando cada vez mais rigorosa ao criar mecanismos para impedir as candidaturas ‘laranjas’”. Para ela, “o afastamento das mulheres da vida pública é um problema social que muito lentamente vem sendo superado”. (Allan Rodrigues e Carlos Henrique Costa)

Todas as candidatas do PSD se filiaram há menos de um ano

Neste ano, a coligação “Pelo Bem de Florianópolis”, que reúne PSD e PP, lançou uma das três candidatas à prefeitura: a pepista Angela Amin. No texto que descreve suas propostas de governo, a palavra “mulher” não é mencionada em nenhum momento. Ao ser questionada sobre essa ausência, Angela disse que, em sua gestão, a mulher estará incluída dentro do Capital Saúde, projeto inspirado no Capital Criança, cujo objetivo foi reduzir a mortalidade infantil. O programa foi criado em 1997, quando Angela era prefeita de Florianópolis.

O objetivo da candidata é ampliar o programa e criar um projeto guarda-chuva que contemple idosos e mulheres, e que auxilie no tratamento de doenças específicas desses públicos. A candidata também lembra o fato de que foi no governo de Esperidião Amin, seu marido, que a primeira delegacia da mulher foi implantada no estado.

Para ocupar vagas na Câmara Municipal, o PP inscreveu 17 candidatos e 8 candidatas, número limite para atender os 30% previstos pela lei. Uma delas renunciou: Marcia Regina Clemente Guedes, que teve problemas com o registro da candidatura. Tentam pela primeira vez uma vaga na Câmara as candidatas Cláudia Regina Barbosa e Nadia Teixeira, filiadas ao partido em agosto de 2015; Maria de Lourdes Floriano de Andrade está há mais tempo no PP, desde dezembro de 1995; Maria Salete Longo Sato e Sônia Costa entraram um mês antes.

Três candidatas do PP já haviam concorrido em eleições passadas. Dória Conceição de Moraes Vicente, filiada desde outubro de 1999, concorreu em 2012 e recebeu 457 votos. Marcia Regina Clemente Guedes (no PP desde setembro de 1999), teve 62 votos no mesmo pleito. Cleidiane Terezinha Machado que se inscreveu no partido em agosto de 2011, contabilizou 402 votos. As votações pouco expressivas não garantiram vagas no parlamento municipal.

Outro pilar da coligação, o PSD vem para a campanha de vereador com 4 mulheres e 8 homens. Coincidentemente, todas se filiaram em novembro de 2015 e concorrem pela primeira vez ao cargo: Gilcelene Marques Tavares, Giovana Schulze da Silva, Milene Elisa Goedert de Barros e Maria Soeli Neto.

Como políticas de incentivo à participação das mulheres na política, o partido afirma ser membro permanente da Bancada Feminina do Congresso Nacional e do Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos. Também apoia a campanha “Mulher, Tome Partido”, lançada pela bancada feminina e outros órgãos como as procuradorias especiais da mulher da Câmara e do Senado Federal e ONU Mulheres. (Daiane Nora e Débora Nazário)

Campanha “está morta” para homens e mulheres, alega dirigente do PV

A coligação “Viva Cidade”, que tem Elson Pereira (PSOL) e Fábio Botelho (PV) como cabeças de chapa, vem para a campanha com 35 candidatos a vereador, sendo 11 mulheres. Ao todo, são 22 candidatos do PSOL, 10 do PV e 3 da Rede Sustentabilidade, formando um dos pólos da esquerda nesse pleito municipal.

No registro está tudo certo, mas os problemas começam na campanha. O site da coligação apresenta, na área destinada aos vereadores, apenas 10 candidatas. O nome fora da lista é o de Célia Fleming (PV), que também não tem rastro de campanha nas redes sociais. Procurada, ela informou que ainda não iniciou a campanha por falta de recursos. A moradora do bairro Ingleses é filiada ao partido desde 2004 e concorreu ao mesmo cargo municipal em 2012, quando alcançou apenas 42 votos. Retornou este ano, segundo ela, para defender a causa de animais abandonados.

Como esta é uma eleição de recursos escassos, os partidos da coligação têm direcionado suas campanhas para a internet, em sites ou mídias sociais. Não é o caso, no entanto, da candidata Luciana Mendes (PV). Apesar de possuir perfil em rede social, não há campanha política ativa, assim como nenhum material impresso declarado ao TRE. Mauro Goedert, um dos coordenadores do PV, afirma que a questão orçamentária tem dificultado uma campanha mais expressiva e visualmente presente. “Está morta para todo mundo, tanto para os homens, quanto para as mulheres. Nossa verba do fundo partidário ainda não chegou e o que recebemos foram doações dos próprios candidatos, parentes e pessoas próximas, que estão colaborando”, diz.

Goedert explica ainda que as candidatas do PV são líderes comunitárias, que optam por atuar em suas bases e nas ruas. “Essa falta de exposição se deve a um trabalho corpo a corpo, mano a mano. É uma campanha franciscana”, acrescenta. “Essas mulheres se colocaram como candidatas e recorrem a seus amigos, nas ruas. Elas estão em campo, pedindo, trabalhando”, garante.

As mulheres na coligação são 7 pelo PSOL, 3 pelo PV e uma pela REDE. Das onze, nove concorrem pela primeira vez ao cargo de vereadora. Elsa Adão Veloso e Irone Falconi, apesar de tentarem a vereança pela primeira vez, foram candidatas a uma vaga na Assembleia Legislativa em 2014 pelo PSOL. Já Larissa Vianna Neveu (PSOL) foi candidata a deputada federal no mesmo ano. Nenhuma delas se elegeu. Tânia Maria Ramos (PSOL) é mais experiente: concorreu a vereadora em 2008 e 2012 e a deputada estadual em 2010, mas também não obteve votos suficientes.

Tiago de Azevedo, coordenador das proporcionais do PSOL, justificou que atender a reserva de 30% para mulheres é uma dificuldade constante em todos os partidos, mas que o PSOL oferece cada vez mais espaço para a participação feminina. “A gente tenta fazer um processo que não seja só para cumprir a tabela, mas um trabalho de diálogo e construção, de inserir na política cotidiana”, explicou. Sobre a incoerência entre o que é apresentado no site do TRE e a página da coligação, Azevedo diz ser um erro da equipe de comunicação. (Eduarda Hillebrandt e Joelson Cardoso)

A única mulher do PSTU

Gabriela Santetti está na sua primeira eleição à prefeitura de Florianópolis. Em 2014, concorreu a deputada federal, obtendo 3.908 votos, insuficientes para se eleger. Única aposta feminina do PSTU nas eleições deste ano, filiou-se à legenda em 2009 e se apresenta como estudante do curso de história da UFSC.

Em seu plano de governo, a candidata promete reforçar políticas de apoio às mulheres, através da aplicação da Lei Maria da Penha, construção de casas-abrigo e centros de referência para vítimas de violência. Acesso à educação sexual, com distribuição gratuita de contraceptivos, e legalização do aborto também constam de suas propostas direcionadas à parcela feminina da população local. Para viabilizar os programas, a candidata quer impulsionar a criação de conselhos populares “que não tenham empresários e nem políticos corruptos, para decidir 100% do Orçamento Municipal e fiscalizar a aplicação dos recursos”. Para a candidata, a criação de uma lei de responsabilidade social poderia “garantir mais investimentos em saúde, moradia, transporte, saneamento, educação e políticas públicas para o combate à violência machista e de proteção às mulheres, negros e LGBTs”.

Apesar do protagonismo feminino na cabeça da chapa, o PSTU não apresenta mulheres na disputa por vaga na Câmara Municipal. O partido tem apenas um candidato a vereador, Gilmar Salgado. Em casos de apresentação de candidato único e que, por isso, não se contemple os dois sexos conforme prevê a lei das cotas, o entendimento da justiça não é unânime. “Alguns juízes aceitam um partido ou coligação com apenas um para a eleição proporcional e outros não. No caso do PSTU, o candidato foi aceito”, informou a assessoria de comunicação do TRE-SC. Indagado sobre a escolha de um homem para o único representante à Câmara, o PSTU justificou que, na lista final, atende ao percentual exigido, pois reservou a vaga principal, a de candidata a prefeito, para uma mulher. (Lívia Rezende e Leonardo Lorenzoni)

Mulheres não querem participar, afirma coordenadora do PPS

Formada por 15 partidos, a coligação “Um Novo Olhar para Florianópolis” é a maior desta eleição, que iniciou com 214 candidatos a vereador, e que concorre agora com 205. Todos os partidos apoiam Gean Loureiro (PMDB) para prefeito, mas na disputa das cadeiras na Câmara as siglas se dividem em seis coligações: “Acredite na Mudança” (PR, PPS e PTC), “PDT-PRB-PRTB”, “PRP-PSC”, “PTB-DEM-PPL-PTN-SD”. PMDB e PSDB concorrem sozinhos.

Do total de membros da coligação “Um Novo Olhar para Florianópolis”, 71 são do sexo feminino. Dessas, 66% filiaram-se aos partidos entre o início de 2015 e o primeiro semestre de 2016. Para 46 delas, trata-se da primeira eleição. No geral, o percentual mínimo exigido em lei é atendido, mas há quem não apresente nenhuma candidata entre as suas apostas para a urna. É o caso do Solidariedade (SD), que disputa com três candidatos a vereador, todos homens.

O PMDB, que inicialmente vinha com 13 candidatas, atualmente conta com 11. Kátia Regina Furtado, a “Bruxinha”, e Dileta Pensin desistiram. “Bruxinha” chegou a criticar em programa de TV o pouco apoio do partido às candidaturas femininas. A deputada estadual Ada de Luca, do PMDB Mulher, afirmou à reportagem que quem quer ser candidato “pelo menos dinheiro para a sua campanha tem que ter”. O apoio do partido às candidaturas, segundo ela, ocorre através de reuniões, eventos e seminários como o da “Mulher politizada”, por exemplo.

A correligionária Eliana Patriota reconhece o apoio recebido. “O diretório está dando muito apoio pra nós, inclusive em toda a parte de comunicação de campanha, panfleto, folders, santinhos”. Ela cita que dificilmente o número de mulheres ultrapassa a cota de 30%, mas que isso não depende apenas do partido, mas sim das próprias mulheres. “O próprio partido tem que correr atrás e convidá-las. A gente podia ter mais participação de mulheres nas próximas eleições. Muito mais que a cota. No entanto, o que falta não é a intenção do partido de colocar, mas sim a participação de mais mulheres”.

Para o Farol Eleitoral, a coordenadora das campanhas de mulheres Flávia Mesquita do PPS alegou que “as mulheres não querem participar da política”. Ela garantiu que o suporte dado às candidatas é o mesmo que recebem os homens, e que cabe a cada partido financiar ou não suas campanhas ao legislativo. Flávia conta, porém, que foi difícil cumprir a legislação sobre o número de mulheres na campanha. Ela atribui o desinteresse feminino ao descontentamento geral da população com a política. Já Ada de Luca argumenta que um dos principais motivos que têm afastado mulheres da política é o machismo que muitas sofrem de familiares e dentro do próprio ambiente político.

O candidato a prefeito da coligação, Gean Loureiro (PMDB), apresentou uma única proposta voltada às mulheres: a criação de um abrigo para vítimas de violência. Apesar de ainda não ter um projeto definido para o atendimento específico de mulheres em outras áreas (como saúde e trabalho, por exemplo), Loureiro afirma que as ações de seu governo “irão acontecer de maneira transversal, tratando as questões do gênero em todos os setores”. (Míriam Amorim, Gabriel Volinger, Maria Fernanda Somenzi Salinet, Michel da Silva Gomes e Icaro Navarro)

As novatas do PEN

O PEN lançou 35 candidatos a vereador, sendo 12 mulheres, pouco acima dos 30% exigidos por lei. Todas elas oficializaram suas filiações partidárias nos 30 últimos dias antes de vencer o prazo estabelecido pelo calendário eleitoral. A maioria das candidatas apresenta trajetórias com pouca experiência política. Além das recentes filiações, apenas 4 das 12 concorrentes já participaram de outras eleições. Clara Ribeiro, então no PSDB, recebeu 366 votos em 2012. No mesmo ano, Fátima Laureano terminou o pleito com 407 votos, e ainda estava filiada ao PC do B. Concorrendo pelo PMDB, Drª Maria José teve 327 votos e Dona Nelci, então PSD, somou 148. Nenhuma delas se elegeu.

Oito das 12 candidatas do PEN declararam à Justiça Eleitoral não possuir nenhum bem. Com um mês de campanha eleitoral e a menos de duas semanas do seu final, apenas duas candidatas divulgaram doações recebidas. E apenas uma delas teve repasses do partido: Kátia Coutinho.

Na proposta de governo apresentada pelo candidato a prefeito Maurício Leal, não está prevista nenhuma política pública voltada especificamente às mulheres. Leal foi procurado pelo Farol Eleitoral e não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem. (Murici Balbinot e Pedro Bermond Valls)

Partido da Mulher Brasileira (PMB) não tem candidatas 

A coligação “Florianópolis com inteligência e coração” cumpre o percentual mínimo de candidatas mulheres com diferenças significativas entre os cinco partidos. A aliança é encabeçada pelo candidato a prefeito, Murilo Flores e seu vice, Coronel Edupercio Pratts, ambos do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Além do PSB, a chapa é composta pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Social Liberal (PSL), Partido Republicano da Ordem Social (PROS) e o Partido da Mulher Brasileira (PMB).

Existem 30 integrantes aptos na disputa por vagas na Câmara Municipal e na Prefeitura– 21 homens e nove mulheres. Todas elas concorrem às vagas do legislativo e disputam eleições pela primeira vez. Dessas, apenas uma não se filiou entre o início de 2015 e o primeiro semestre de 2016. O PSB possui sete do total de candidatas aptas, as outras são do PSL e do PHS. Porém, há partido onde apenas homens concorrem, como o PROS, e outro sem nenhum representante na coligação, caso do PMB.

No início, a coligação possuía 32 membros, mas um homem e uma mulher tiveram os registros indeferidos. Valmir Luiz Sant’Ana não está filiado ao partido que o indica a concorrer ao cargo de vereador, o PROS, e sim ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Já Lucia Oliveira (PSB), não tinha tempo suficiente de domicílio eleitoral. O artigo 9º da Lei nº9.504/97 exige que para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito. Ambos os processos já foram arquivados.O prazo para que os partidos requeressem substituição de candidatos terminou no dia 12 de setembro.

As mulheres têm menos de três anos de filiação aos partidos. Luciana Andrade (PSB) é a mais antiga, desde 5 de outubro de 2013. Marilu Lima de Oliveira e Sara Toscan Camargo, também do PSB, são filiadas desde 1º de outubro e 16 de setembro do ano passado, respectivamente. A maioria só se filiou este ano. Jeane Juliano Moura, Jacqueline da Silva Rigon, ambas do PSB, e ChayeniCristiny Fraga Bittencourt (PHS) estão filiadas desde o dia 1º de abril. Bruna Vieira (PSL), e Luciana Martins de Araújo (PSB), filiaram-se em 1º e 11 de março.

Gisele Milleo de Castro, a princípio do PSB, teve o pedido indeferido por falta de comprovação de filiação partidária, condição obrigatória para o registro da candidatura. Ela continua na disputa porque recorreu da decisão e aguarda o julgamento do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC).

Em relação à campanha das candidatas, cinco delas já registraram gastos no sistema de Divulgação de Candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Jacqueline da Silva Rigon, Luciana Martins de Araújo, Luciana Andrade e ChayeniCristiny Fraga Bittencourt ainda não possuíam doações ou gastos de campanha até o fechamento desta reportagem.

Um fato chama a atenção nas campanhas desenvolvidas nas redes sociais. A maioria das mulheres utiliza o próprio perfil como ferramenta de auto promoção. A única exceção é Chayeni Cristiny Fraga Bittencourt (PHS), 29, que compartilha propagandas em apoio ao companheiro de partido, Marcos Aurélio Espíndola, mais conhecido como Badeko. Foram 10 postagens no total. Elas começaram em 28 julho, a última foi no dia 23 deste mês.

Chayeni trabalha como auxiliar de escritório e assim como as demais candidatas, nunca concorreu à vereadora antes.Ela não declarou bens e até o momento não informou nenhum gasto com sua campanha. Chayeni faz parte da escola de samba Protegidos da Princesa e no início deste ano, foi escolhida como rainha do carnaval de Florianópolis. Apesar da popularidade, não há nenhuma menção sobre a própria candidatura em seu perfil do facebook.

candidata-que-faz-propaganda-pra-badeko
Candidata faz propaganda para vereador Badeko acusado pelo MPSC na Operação Ave de Rapina

Em uma publicação, Chayeni afirma que as pessoas têm o direito de votar em quem quiser e acredita que cada um deve trabalhar para que seu vereador seja eleito. Ela reforça que esta é a forma mais correta de se fazer eleição. “Vamos nos garantir, confiar mais em si, no seu trabalho, no seu potencial! Campanha se faz com o seu candidato e não difamando ao candidato dos outros. Vamos ter mais respeito pelo próximo que escolheu o seu candidato? Ninguém é obrigada a aceitar mas respeitar é fundamental! Vamos fazer uma campanha limpa, sem insultos, sem difamações?”

A equipe do Farol Eleitoral entrou em contato com a candidata para saber o motivo das propagandas apenas para Badeko, Chayeni disse não poder falar sobre o assunto a pedido do partido. Como revelou este site, Badeko, segundo documento da Polícia Federal (PF), ocultou dois imóveis e tem uma movimentação financeira incompatível com suas receitas declaradas ao Fisco no valor de R$ 502.471,87. O vereador candidato à reeleição Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PHS), responde pelos crimes de concussão, corrupção passiva, advocacia administrativa e organização criminosa e foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na Operação Ave de Rapina.

O PROS tem apenas dois homens aptos na disputa pelo legislativo municipal. Dentre eles, o presidente da comissão provisória do partido em Florianópolis, Doreni Pires Tezzari. Ele justifica que a ausência de candidatas ocorre porque o partido sofreu uma remodelagem. “Nós tínhamos 33 candidatos em chapa pura com 13 mulheres. Aí houve uma evasão por conta da troca de diretoria estadual. Por esse motivo foi coligado com o PSB, para poder preencher as cotas femininas”. Ele afirma que tentaram lançar ao menos uma candidata mulher na Capital, mas ocorreram problemas com a documentação. No dia 9 de março deste ano, Erciley Santana Pires deixou a presidência estadual do PROS. Ele assumiu o mesmo cargo no novo partido, o PHS, em 27 de julho.

O Partido da Mulher Brasileira (PMB) não possui nenhum candidato ou candidata em Florianópolis. Questionado sobre a ausência de representantes na Capital, o secretário geral estadual e municipal do partido, Vinícius Ouriques, informou que devido ao pouco tempo de existência, o PMB não teve tempo suficiente para lançar candidaturas e decidiu pela coligação em apoio a Murilo Flores.

De acordo com informações do site do TRE-SC, a data do início da vigência da comissão provisória do PMB em Florianópolis é de 12 de julho deste ano. A convenção do partido foi realizada em 3 de agosto e oúltimo dia para que os partidos e as coligações requeressem registros de candidaturas terminou no dia 15 do mesmo mês.

Oficialmente, o PMB existe desde setembro de 2015. Possui 59 filiados em Santa Catarina e apenas dois na Capital, um homem e uma mulher, registrados em abril deste ano. Se considerados apenas os aptos, o partido possui seis candidatos ao cargo de vereador no estado – três homens e três mulheres – distribuídos nas cidades de Xaxim, Criciúma e Blumenau. Isso porque um dos homens teve o registro indeferido e uma das mulheres renunciou à candidatura.

Apesar de terem uma secretaria nacional direcionada à mulher, o PSL, o PROS e o PHS, não possuem um núcleo semelhante em Florianópolis.Todos eles tiveram trocas na presidência do partido em Santa Catarina ou na capital.Tanto o presidente estadual do PROS, Tanio Marçal, quanto o do PHS, Santana Pires, garantiram que nas próximas eleições os partidos darão mais incentivo à candidatura de mulheres.A presidente da comissão provisória do PSL na Capital e única representante do PSL nas eleições, Bruna Vieira, afirmou que por ter assumido em maio, ainda não teve tempo de estruturar melhor o partido. Ela também acredita que “as mulheres não têm tanto interesse em participar da política”.

A presidente do PSB Mulher em Florianópolis, desde a implantação do núcleo em 2014, Rejane Varela, aponta a descrença na política e principalmente, a falta de apoio contínuo dos partidos como fatores do aparente desinteresse das mulheres pelapolítica. “As mulheres não estão mais querendo se colocar nessa posição de só preencherem cotas. As mulheres querem participar das discussões durante todo o processo político partidário. Elas querem ir pra reuniões, elas querem dar sua opinião, participar das decisões, enquanto isso não mudar, nós vamos sempre ter dificuldade em ter mulheres candidatas”. Ela afirma que há mulheres que gostam de política, mas não entendem, e só irão começar a fazer isso quando os partidos cederem esse espaço. “Os partidos podem levantar algumas bandeiras e fazer projetos para a própria sociedade, isso é permitido, e acho que é isso que está faltando, eles estão focados só em eleição e acabam esquecendo do papel que têm de formação política”.

Na proposta de governo apresentada pelo candidato a prefeito, Murilo Flores, não constam políticas públicas direcionadas especificamente às mulheres. Procurado pela equipe do Farol Eleitoral sobre o motivo desta ausência, um dos colaboradores do Plano de Governo, Helio Abreu Filho, respondeu que: “não percebemos a importância de destacar ou privilegiar este ou aquele setor, ou este ou aquele segmento social, porquanto a democracia participativa não esgotou o espectro dos atuais conselhos sociais, que aliás, exigem sejam convenientemente reconhecidos pela Administração Pública”. Segundo Abreu, a mulher é alcançada através das políticas públicas referentes à saúde familiar quando visam a inclusão de médicos geriatras e pediatras, assim como com a criação de programas culturais e esportivos com foco nas famílias e das garantias de sua participação através dos conselhos sociais. (Samantha Sant’Ana, Leisiliê Caroline da Silva e Victor Milezzi) 

Últimas do Farol

One Comment

  1. Dileta
    outubro 1, 2016

    Boa tarde!

    Sou Dileta Pensin, quero informa que não desisti da campanha, mas sim estava
    com restrição no TRE não podendo
    ser candidata nesta eleição minha prestação de contas foi entregue fora do prazo.

Comments are closed.